Está em cartaz no Museu de Arte Contemporânea da USP a instalação Transarquitetônica de Henrique Oliveira. Em sua obra o artista atravessa 1.600m² incitando a reflexão sobre a arquitetura e a realidade brasileira.
Assim como a Transamazônica tinha a pretensão de cortar a Floresta, Transarquitetônica atravessa a estrutura do MAC desenhado por Oscar Niemeyer. Henrique Oliveira sempre mostrou em seu trabalho ligações com a arte contemporânea. De pinturas não-figurativas, como as obras atormentadas do expressionismo, até a necessidade do artista de realmente sair da tela e buscar todo o espaço da exposição, Henrique construiu obras cada vez mais críticas.
Transarquitetônica é uma obra tridimensional de um artista que saiu do plano para dialogar com a escultura e com a arquitetura, a julgar pelo tamanho de suas instalações. Sendo ambas ‘artes do tempo’, feitas para durar, Henrique Oliveira resolve outra inquietação sempre presente nos admiradores de esculturas: a interação com a obra. Assim como Michelângelo, que deslumbrado diante da beleza da escultura de Moisés, questionou: “Por que não falas?” – crente de que havia criado ali um ser vivo. Em Transarquitetônica, o visitante pode percorrer a obra e receber uma série de estímulos que direcionam à reflexão.
No interior de um túnel de tapumes, é possível experimentar diferentes cheiros, temperaturas e sons. Ao transitar pela obra, cada passo produz um som diferente de acordo com o local da estrutura, assim, vão criando-se padrões rítmicos durante o passeio. O cheiro e a sensação térmica também variam, devido à largura do espaço e a proximidade das lâmpadas. Os tapumes, matéria-prima de Henrique Oliveira a algum tempo, em Transarquitetônica dividem o espaço com paredes de tijolos aparentes, construções de pau-a-pique e até madeirite.
Os diferentes materiais colaboram para a diversidade térmica e olfativa, além de provocar a reflexão sobre o racionalismo arquitetônico, direito à moradia, ecologia e cavernas pré-históricas. O material precário e pouco iluminado no final do túnel, lembra as origens da habitação. Enquanto isso, a utilização de tapumes é uma expressão artística com um toque de conscientização ambiental, pois promove a reutilização de material descartável. Os tijolos aparentes em Transarquitetônica representam os barracos da favela abrigados por pessoas que sofrem com a superpopulação das cidades e a marginalização.
E é assim, driblando o racionalismo arquitetônico moderno de Niemeyer, que a Transarquitetônica de Henrique Oliveira faz sua crítica como obra essencialmente contemporânea que é.
Vídeo da exposição Transarquitetônica de Henrique Oliveira:
Serviço exposição Transarquitetônica de Henrique Oliveira:
Até 25 de janeiro
Terças das 10 às 21h
Quarta a domingo das 10 às 18 horas
Fechado às segundas
Gratuito
Endereço MAC USP Ibirapuera
Av. Pedro Álvares Cabral, 1301
Vila Mariana – São Paulo/SP
Telefone: 55 (11) 2648-0254